Guia · Public charge

Caução de public charge: quando o dinheiro volta, quando se perde, e por que 18 de setembro muda tudo

Marcelo Barros da Cunha Publicado em setembro de 2026
Em uma frase: se você foi convidado a depositar uma caução de public charge, a data em que ela for enviada decide, para sempre, o que pode fazer você perder o dinheiro; até 17 de setembro de 2026 vale a condição estreita de hoje, e a partir de 18 de setembro vale uma condição muito mais larga.

Do que estamos falando

Public charge é a regra que permite recusar o green card a quem o governo considera provável que venha a depender de ajuda pública. Quando o oficial conclui que esse é o único problema do caso, e nenhum outro, ele pode convidar a pessoa a depositar uma quantia em garantia. Essa quantia é a caução. Depositada e aceita pelo governo, ela permite aprovar o pedido apesar da conclusão de public charge. Sem convite não há caução: o governo não aceita depósito de quem não foi convidado, e não existe pedido próprio.

A caução é um contrato. De um lado o governo americano, do outro quem deposita, que pode ser a própria pessoa, um familiar, uma empresa ou uma seguradora certificada pelo Tesouro. Ela pode ser em dinheiro, e nesse caso o valor integral fica depositado em conta do Tesouro rendendo juros, ou por apólice de seguradora, e nesse caso nada é pago na hora. O valor mínimo é fixado em regulamento e o valor de cada caso é decidido individualmente, de acordo com o risco que o oficial enxerga. O valor exato vem escrito na comunicação que convida ao depósito.

A caução não tem prazo de validade. Ela continua valendo até ser cancelada, até ser substituída por outra, ou até ser declarada rompida. Não existe caução que vence sozinha com o tempo.

O que muda em 18 de setembro de 2026

Uma regra publicada em 20 de julho de 2026 reescreveu o dispositivo que define quando a caução é rompida. A regra entra em vigor em 18 de setembro de 2026 e faz algo incomum: ela cria dois regimes que convivem, e o que separa um do outro é a data em que a caução foi enviada ao governo. Não é a data do convite, nem a data em que o caso começou, nem a data da decisão final. É a data do envio.

Caução enviada O que faz perder o dinheiro
Até 17 de setembro de 2026 Receber auxílio público em dinheiro para manutenção da renda, ou ficar internado por longo prazo às custas do governo. Ou descumprir qualquer outra condição escrita na caução.
Em 18 de setembro de 2026 ou depois Receber qualquer benefício público concedido com base em renda ou recursos, antes da morte, da saída definitiva do país ou da naturalização. Ou descumprir qualquer outra condição escrita na caução.

A diferença entre as duas linhas é grande, e vale medir. Auxílio em dinheiro para manutenção da renda e internação de longo prazo custeada pelo governo são situações relativamente raras, e boa parte das famílias nunca chega perto delas. Benefício concedido com base em renda ou recursos é categoria muito mais ampla, que alcança programas comuns de assistência. A regra nova usa a expressão em inglês, means-tested public benefit, e não a define no próprio dispositivo. Por isso, quem estiver sob o regime novo deve conferir programa por programa, antes de aceitar qualquer ajuda, e não presumir que um benefício está fora.

O formulário também muda em 18 de setembro, e não há tolerância

A caução se deposita pelo Formulário I-945. Em 18 de setembro de 2026 entra um modelo novo, com data de edição 09/18/26 impressa no rodapé, e não há período de transição. O modelo anterior, de 12/23/22, é aceito se enviado até 17 de setembro e rejeitado se enviado em 18 de setembro ou depois. O modelo novo só é aceito de 18 de setembro em diante. O governo já disponibilizou uma prévia do modelo novo, justamente porque não haverá tolerância.

Dois anexos obrigatórios, e a falta de qualquer um deles faz o governo devolver o pacote sem analisar: a cópia da comunicação em que o governo convidou ao depósito, e o pagamento no valor exato indicado nessa comunicação. Valor a mais ou a menos não é corrigido, é rejeitado.

Quando o dinheiro volta

O dinheiro não volta sozinho. É preciso pedir o cancelamento da caução no formulário que o governo designa para isso, hoje o Formulário I-356, e o pedido pode partir de quem depositou ou da própria pessoa beneficiada. Até que o pedido seja apresentado e decidido, a caução continua valendo. São estas as situações em que o cancelamento é possível.

Aprovado o cancelamento de uma caução em dinheiro, o governo devolve o valor depositado e também os juros que ele rendeu no período. Quem depositou fica liberado da responsabilidade. Se a caução era por seguradora, o cancelamento libera a seguradora do compromisso.

Quando o dinheiro se perde

O rompimento não é automático. O governo precisa declarar a caução rompida, e antes disso avisa por escrito quem depositou, dizendo em que se baseia e abrindo prazo para resposta e para prova em contrário. A pessoa beneficiada recebe cópia de tudo. Se a resposta não convencer, sai a decisão de rompimento, e ela pode ser questionada em recurso administrativo. Pela regra que entra em vigor em 18 de setembro, tanto a seguradora quanto a própria pessoa beneficiada podem recorrer, cada uma pela via que o regulamento indica.

Reconhecido o rompimento em definitivo, o valor da caução em dinheiro é perdido por inteiro. Os juros acumulados, esses, são devolvidos a quem depositou. No caso da caução por seguradora, é a seguradora que paga ao governo o valor prometido, e depois cobra de quem contratou, nos termos do contrato que assinou com ela.

A via do consulado

A caução também existe fora dos Estados Unidos. Em página atualizada em 5 de agosto de 2026, o Departamento de Estado informa que iniciou um programa piloto no qual o oficial consular pode exigir que certos requerentes de visto de imigrante peçam a caução ao USCIS. Aprovada a caução, o oficial pode emitir um visto de imigrante antes recusado por public charge, se o requerente for de resto elegível. Aqui também a iniciativa é do oficial, e o Departamento diz que quem tiver de depositar será avisado por ele. O valor, nessa via, é fixado pelo oficial consular, segundo o conjunto das circunstâncias do caso.

O que fazer agora

Uma ressalva de método, para quem for comparar este texto com outras fontes: além do regulamento, o USCIS mantém orientação interna própria sobre public charge, e essa orientação é integralmente substituída também em 18 de setembro de 2026. O que este guia descreve nos pontos decisivos vem do regulamento, que é norma. Detalhes de procedimento podem mudar com a orientação nova.

Fontes

Atualizado em 1º de setembro de 2026, com base no texto da regra final publicada em 20 de julho de 2026 e nos capítulos 10, 11 e 12 da parte G do volume 8 do Policy Manual do USCIS, lidos na fonte. A regra entra em vigor em 18 de setembro de 2026, e a orientação interna do USCIS sobre public charge também é substituída nessa data. A regra pode ser alterada ou suspensa por decisão judicial. Confirme a situação antes de tomar qualquer decisão.